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Derrota de Gelson Merisio (PSD) encerra ciclo de 16 anos de poder em SC

29/10/2018 às 09h11 - Atualizado em 29/10/2018 às 09h14

Por Paulinho K

 O xadrez idealizado por Gelson Merisio (PSD) chegou à rodada final com o desenho exato que ele formou nos derradeiros dias do primeiro turno. Mas o xeque estratégico não contava com enfrentar um novato tão atrevido, que ousou questionar as regras vigentes no tabuleiro, ainda que de forma desordenada, e virou o jogo.

O próprio desempenho na primeira parte da corrida eleitoral, com um quase empate com o agora governador eleito Carlos Moisés da Silva (PSL), obrigou o "rei" a ir para o ataque, liderando o front – por vezes até sozinho. Com as fortalezas derretendo nas pesquisas de intenção de voto e nos trackings internos, além de baixas importantes como a de Raimundo Colombo (PSD), as tropas e canhões se voltaram com força contra o comandante do exército adversário. Moldado nas trincheiras do povo do Oeste, não era hora da rendição.

Sob a proteção do mesmo mito, a cruzada do pessedista inegavelmente sentiu o baque quando as bênçãos acabaram direcionadas para o filho original, após uma costura mal-sucedida por neutralidade durante toda a luta. Novamente, foi tempo de reunir as energias e focar não no embate por força bruta, mas tentando mostrar ao povo o caos que se instalaria no reino se um aventureiro chegasse ao poder.

Batalhas duras vieram pela frente, com uso de todas as armas possíveis – incluindo algumas de origem duvidosa no submundo das guerras políticas, de ambos os lados.

Entre mortos e feridos, o duelo final se deu cercado de expectativas. A ausência do rival no último debate, por consequência de um problema de saúde, seria suficiente para enfraquecer as fileiras pesselistas? Os levantamento dos institutos de pesquisa, que não captaram a onda Bolsonaro no primeiro turno, errariam novamente, agora em favor de Merisio?

Quando as urnas começaram a ser abertas, logo ficou claro que a vitória passara a ser um sonho distante. A torre do edifício na Beira-Mar Norte onde o candidato inicialmente acompanharia a apuração foi deixada de lado, quando boa parte da imprensa já o aguardava, e optou-se pela residência em Canajurê. Porque os filhos estavam no Norte da Ilha, disseram os assessores. Talvez – nunca teremos certeza –, porque era preciso primeiro sentir sozinho e com os seus a perda ou no mínimo adiamento do projeto de anos de chegar ao trono.

Ironia suprema, Merisio se anunciava como novidade e como aquele que poria fim ao reinado que administrava o Estado há 16 anos, embora seu partido estivesse ativamente presente em toda essa era.

O que não esperava era também ser educadamente convidado a não participar dos próximos bailes reais. A derrota, bem disfarçada na voz e na expressão ao reconhecer e comentar o resultado, interrompe décadas de vida pública. A atuação, pelo menos nos próximos dois anos, terá que ser de bastidores e no ramo empresarial.

– Não houve eleição no segundo turno. Houve um processo de verticalização – lamentou na noite de domingo.

O destino de uma Nação, obra cinematográfica favorita do pessedista, leva às telas da ficção os primeiros momentos no cargo do recém-empossado Winston Churchill como primeiro-ministro da Grã-Bretanha, em que ele decidia se era melhor aceitar um acordo de paz ou ir para o confronto na Segunda Guerra Mundial. Tempo não faltará para Merisio rever o filme e continuar aprimorando suas estratégias.

Por Victor Pereira Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

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